Excelentíssimo senhor presidente
da República federativa desse meu brasil
País banguelo já sem dente
Que só toma no funil
dessa pátria que não tem mãe
Pátria que ninguém pariu
Sou Severino João ninguém sertanejo
vim a brasília fazer um apelejo
ao senhores pro meu povo tão gentil
que vive no erro do engano
O povo esquece a própria língua pra falar americano
por isso muitas vezes que só entra pelo cano
Patria que não me pariu
Parece que veio de uma pata
Não a pata de um bicho
Mas a pata de seu chico
que um dia um pinto engoliu
Que de tanto passar fome
chocou um pintin magro
que num sei como ainda ta vivo
Que se chama o seu brasil
eu vim la do sertão do meu nordeste
sou mais cabra da peste
que não tem bonitas vestes
nem um bom palavreado
falo do meu jeito errado
com um falar pouco estudado
mas sou bem desenrolado
já enrolei até o diabo
mas o diabo da mulé
é difícil de enrolar
que é difícil que é danado
eu danço de tudo
frevo xote até baião
quando monto no meu jegue
até na contra mão
me sinto mick jeagger
um rei do rock do sertão
dom quixote rei ricardo o rei leão
me sinto o dono do pedaço
e também rei do cangaço
um cabra valente que se chamava lampião
vou levando á vida
do meu jeito agitado
no improviso do pandeiro
e do embolado
e no embalo da morena
e na batida do ganzá
quero me aconchegar
é proibido cochilar
se não a mule me pega
da aquele chilique lá
e me da uma surra da moléstia
pra eu nunca mais me levanta
mas quem não chora
não mama não é doutor
no meio do pega pra capar
quando bicho vem pegar
quando o negócio é se virar
nasci pra ser professor
eu vim la do sertão meu senhor
nunca vi touro da leito nem vaca
nem vaca da de mamá
mas quando pego na viola
as mulé fica toda a se mijar
na batida do pandeiro e rebolado
da morena eu quero é me atualizar
vou dançar a noite inteira até ver o sol raia
um forró de pé de serra
um côco de me acabar
de manhã cedin ligo o lampião
acendo a luz da imaginação
plantando os versos de fogo
em plenos tempos de chuva
nesse meu sagrado chão
e nessa terra que nos cobre e
nesse chão que nos veste
sou um poeta caba da peste
shakespeare do nordeste
sou um cara arretado
vou atrás de meus direitos
não aceito ser negado
nem tão pouco enganado
sou um cidadão do mundo
andando pela estrada
cidadão do meu brasil
a mãe da pátria é importada
a pátria mãe que me pariu
nunca me foi muito amigada
nunca foi muito gentil
seus filhos passam fome
e por ela é maltratada
e por ela se feriu
de meus princípios eu não abro mão
tenho minha convicção
só voltarei pra minha terra
quando tiver água potável
na seca do coração
quando tiver água da chuva
na seca do meu sertão
quando o povo brasileiro
aprender com o João
que quem não chora não mama
e quem não reclama
nunca encontra a solução
um dia vi na televisão
um homem dizendo a nação
a seguinte informação
o maior resultado da conquista
de um país é o estado
a ética ta perdida
e o povo abandonado
eu perguntando a mule
que diabo ele tinha la falado
o diabo da mule vem me dizer
o que ele tinha inventado
é que todo mundo ta ferrado
que o pobre ta fudido
e cada vez ta mais lascado
eu fiquei muito erretado
era melhor ele ter ficado calado
esse safado condenado
ta me chamando de froxo e de viado
vou pegar minha peixeira e vou falar
com esse danado
pois sou severino sertanejo e agora to muito brabo
filho de chico chicote e maria vara curta
meu pai amansava os boi
minha mãe matava as puta
hoje to muito é invocado
depois do homem da notícia
ter me esculhambado
vou sai da paraíba
pra bater la em brasília
e quero ver o resultado
por isso que vim aqui fazer
um apelejo pros senhores deputados
e senhores do senado
este que aqui esta prosando com desdém
o severino joão ninguem
que fala pelos outros também
um dia ei de ser muito importante
nem que seja só um dia
nem que seja na agonia
quando for usar a mão
na próxima eleição
pra escolher representante
sou magrelo to até mei banguelo
de tanto passar fome
mas as mulé vive dizendo
que eu pareço um ciderelo
e que eu sou é muito homi
posso até está sem dente
mas meu sorriso é elegante
vim aqui representar
o meu povo ignorante
pelo amor de deus
os senhores deputados
senhores do senado
se os senhores são decentes
comprem uma chapa nova
pra saúde já sem dente
comprem uma roupa nova
pra esse estado decadente
e me ajude a enrrolar minha mule
o caso aqui é muito sério
se não vou pro cimitério
se não for como ela quer
ta feito o funaré
me ajude a enganar minha mulé
a dizer que sou inocente
que num fui no cabaré
e vim falar com o presidente
e dizer como é que é
o povo morrer de sede no nordeste
e comer quando puder
eita mule danada se eu não venho
até aqui ela me cobre na porrada
ainda bem que ela não veio
não só a mim ela torava pelo meio
entrava no embalo senador e deputado
tão decente e inocente os bichin
imagino minha mulher batendo no presidente
como quem bate num saguin
ainda chegando em casa
com um dente do excelente de presente
embrulhado só pra mim
aquilo é ruim aquilo não é gente
roupa boa nenhuma veste
Me ajudem a enganar aquela peste
é só dizer em rede nacional
que esse brasil é bem descente
e respeita o povo do nordeste
da República federativa desse meu brasil
País banguelo já sem dente
Que só toma no funil
dessa pátria que não tem mãe
Pátria que ninguém pariu
Sou Severino João ninguém sertanejo
vim a brasília fazer um apelejo
ao senhores pro meu povo tão gentil
que vive no erro do engano
O povo esquece a própria língua pra falar americano
por isso muitas vezes que só entra pelo cano
Patria que não me pariu
Parece que veio de uma pata
Não a pata de um bicho
Mas a pata de seu chico
que um dia um pinto engoliu
Que de tanto passar fome
chocou um pintin magro
que num sei como ainda ta vivo
Que se chama o seu brasil
eu vim la do sertão do meu nordeste
sou mais cabra da peste
que não tem bonitas vestes
nem um bom palavreado
falo do meu jeito errado
com um falar pouco estudado
mas sou bem desenrolado
já enrolei até o diabo
mas o diabo da mulé
é difícil de enrolar
que é difícil que é danado
eu danço de tudo
frevo xote até baião
quando monto no meu jegue
até na contra mão
me sinto mick jeagger
um rei do rock do sertão
dom quixote rei ricardo o rei leão
me sinto o dono do pedaço
e também rei do cangaço
um cabra valente que se chamava lampião
vou levando á vida
do meu jeito agitado
no improviso do pandeiro
e do embolado
e no embalo da morena
e na batida do ganzá
quero me aconchegar
é proibido cochilar
se não a mule me pega
da aquele chilique lá
e me da uma surra da moléstia
pra eu nunca mais me levanta
mas quem não chora
não mama não é doutor
no meio do pega pra capar
quando bicho vem pegar
quando o negócio é se virar
nasci pra ser professor
eu vim la do sertão meu senhor
nunca vi touro da leito nem vaca
nem vaca da de mamá
mas quando pego na viola
as mulé fica toda a se mijar
na batida do pandeiro e rebolado
da morena eu quero é me atualizar
vou dançar a noite inteira até ver o sol raia
um forró de pé de serra
um côco de me acabar
de manhã cedin ligo o lampião
acendo a luz da imaginação
plantando os versos de fogo
em plenos tempos de chuva
nesse meu sagrado chão
e nessa terra que nos cobre e
nesse chão que nos veste
sou um poeta caba da peste
shakespeare do nordeste
sou um cara arretado
vou atrás de meus direitos
não aceito ser negado
nem tão pouco enganado
sou um cidadão do mundo
andando pela estrada
cidadão do meu brasil
a mãe da pátria é importada
a pátria mãe que me pariu
nunca me foi muito amigada
nunca foi muito gentil
seus filhos passam fome
e por ela é maltratada
e por ela se feriu
de meus princípios eu não abro mão
tenho minha convicção
só voltarei pra minha terra
quando tiver água potável
na seca do coração
quando tiver água da chuva
na seca do meu sertão
quando o povo brasileiro
aprender com o João
que quem não chora não mama
e quem não reclama
nunca encontra a solução
um dia vi na televisão
um homem dizendo a nação
a seguinte informação
o maior resultado da conquista
de um país é o estado
a ética ta perdida
e o povo abandonado
eu perguntando a mule
que diabo ele tinha la falado
o diabo da mule vem me dizer
o que ele tinha inventado
é que todo mundo ta ferrado
que o pobre ta fudido
e cada vez ta mais lascado
eu fiquei muito erretado
era melhor ele ter ficado calado
esse safado condenado
ta me chamando de froxo e de viado
vou pegar minha peixeira e vou falar
com esse danado
pois sou severino sertanejo e agora to muito brabo
filho de chico chicote e maria vara curta
meu pai amansava os boi
minha mãe matava as puta
hoje to muito é invocado
depois do homem da notícia
ter me esculhambado
vou sai da paraíba
pra bater la em brasília
e quero ver o resultado
por isso que vim aqui fazer
um apelejo pros senhores deputados
e senhores do senado
este que aqui esta prosando com desdém
o severino joão ninguem
que fala pelos outros também
um dia ei de ser muito importante
nem que seja só um dia
nem que seja na agonia
quando for usar a mão
na próxima eleição
pra escolher representante
sou magrelo to até mei banguelo
de tanto passar fome
mas as mulé vive dizendo
que eu pareço um ciderelo
e que eu sou é muito homi
posso até está sem dente
mas meu sorriso é elegante
vim aqui representar
o meu povo ignorante
pelo amor de deus
os senhores deputados
senhores do senado
se os senhores são decentes
comprem uma chapa nova
pra saúde já sem dente
comprem uma roupa nova
pra esse estado decadente
e me ajude a enrrolar minha mule
o caso aqui é muito sério
se não vou pro cimitério
se não for como ela quer
ta feito o funaré
me ajude a enganar minha mulé
a dizer que sou inocente
que num fui no cabaré
e vim falar com o presidente
e dizer como é que é
o povo morrer de sede no nordeste
e comer quando puder
eita mule danada se eu não venho
até aqui ela me cobre na porrada
ainda bem que ela não veio
não só a mim ela torava pelo meio
entrava no embalo senador e deputado
tão decente e inocente os bichin
imagino minha mulher batendo no presidente
como quem bate num saguin
ainda chegando em casa
com um dente do excelente de presente
embrulhado só pra mim
aquilo é ruim aquilo não é gente
roupa boa nenhuma veste
Me ajudem a enganar aquela peste
é só dizer em rede nacional
que esse brasil é bem descente
e respeita o povo do nordeste
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